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Sanitarista popular, neta de Allende, ex-líderes estudantis e presidente do Banco Central: quem é quem no Ministério de Boric

Chile

Gabinete é composto por alto percentual de jovens e acadêmicos, incluindo militantes e pessoas ativas na sociedade civil sem filiação partidária

O presidente eleito do Chile, Gabriel Boric, apresentou nesta sexta-feira o Gabinete de seu governo, que toma posse no dia 11 de março. O Ministério caracteriza-se por uma maioria de mulheres, por sinais de dar tranquilidade ao mercado, por incoporar partidos tradicionais da centro-esquerda chilena e por um alto número de integrantes jovens e independentes. A média etária do Gabinete é de 49 anos; sua integrante mais nova tem 32 anos, enquanto o ministro mais velho tem 75.

Abaixo, breves perfis dos 24 novos ministros e ministras do Chile:

Izkia Siches, Ministério do Interior e Segurança Pública

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A médica sanitarista Izkia Siches fez História em 2017, quando tornou-se a primeira mulher e mais jovem presidente do influente Colégio Médico do Chile. Quando a pandemia atingiu o país, ela tornou-se conhecida nacionalmente, como uma voz de de razão, unidade e preocupação social. No segundo turno das eleições presidenciais, aceitou a tarefa de tornar-se porta-voz da campanha de Boric. Como ministra do Interior, terá desafios significativos, como comandar a refundação da polícia militar (os carabineiros), enfrentar a onda de violência envolvendo conflitos agrários e os índios mapuche no Sul e lidar com o narcotráfico. Tem 35 anos e se define como independente.

Giorgio Jackson, Secretaria Geral da Presidência

É o principal conselheiro do presidente eleito, além de seu amigo pessoal. Assim como Boric, ganhou projeção nacional durante as mobilizações estudantis de 2011, vindo a se tornar deputado por dois mandatos seguidos. Como secretário-geral da Presidência, terá a tarefa de conduzir negociações entre o Executivo e o Legislativo. Tem 34 anos e é militante da Revolução Democrática, um dos partidos que integram a Frente Ampla, de Boric.

Camila Vallejo, Secretaria Geral de Governo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Assim como Boric e Jackson, Camila Vallejo foi uma das lideranças do movimento estudantil «dos pinguins» em 2011, chegando a ser o rosto mais conhecido das mobilizações, pulando em seguida para a Câmara dos Deputados. Ao assumir o primeiro de seus dois mandatos, em 2015, tinha 25 anos e uma filha recém-nascida. Feminista e defensora do direito ao aborto, precisou então se defender de críticas por levar o bebê ao Congresso para amamentá-lo. Na Secretaria Geral do Governo, será a porta-voz da Presidência, com a missão de conectar o governo à cidadania. Tem 33 anos e é militante do Partido Comunista.

Mario Marcel, Ministério da Fazenda

 

 

 

 

 

 

 

 

Desde o retorno à democracia, teve cargos que determinaram políticas macroeconômicas em praticamente todos os governos. Tornou-se presidente do Banco Central em 2016, durante o segundo mandato de Michelle Bachelet, e, no ano passado, ganhou um novo mandato de cinco anos do conservador Sebastián Piñera. Sua nomeação busca dar sinal de estabilidade aos mercados, e foi bem recebida pela Bolsa. Ainda assim, ele se identifica como social-democrata, e defende transformações graduais e com responsabilidade fiscal. No passado recente, foi ferrenho opositor de saques antecipados de fundos de pensão, entrando em atrito com integrantes da Frente Ampla e do Partido Comunista. Aos 62 anos, é um dos membros mais velhos do governo. Não é filiado a nenhum partido, mas diz-se apoiador do Partido Socialista.

Maya Fernández Allende, Ministério da Defesa Nacional

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em uma nomeação de alto valor simbólico, Boric indicou uma neta de Salvador Allende para liderar o Ministério da Defesa. Maya Fernández Allende, deputada do PS, cresceu em Cuba após o golpe de 1973, e é filha de Beatriz Tati Allende, considerada a filha mais próxima politicamente do presidente deposto por Augusto Pinochet. Fernández Allende foi a primeira deputada do PS a apoiar Boric, ainda em agosto, apesar do apoio oficial dos socialistas à democrata cristã Yasna Provoste. Como deputada, integra a Comissão de Relações Exteriores e Defesa da Câmara. Também é veterinária e bióloga. Tem 50 anos.

 

Antonia Urrejola, Ministério das Relações Exteriores

BRASIL - Brasília - BSB - PA - 05/11/2018 - PA - Antonia Urrejola Noguera, comissária da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da ONU, e relatora para o Brasil. Foto de Jorge William / Agência O Globo Foto: Jorge William / Agência O Globo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Especialista em direitos humanos, a nova chanceler do  participou de vários governos da antiga Concertação. Em 2017, foi uma das três candidatas eleitas pela Assembleia Geral da OEA para servir como comissária da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para um mandato de quatro anos. Neste período, foi relatora sobre os direitos dos povos indígenas da organização e relatora para o Brasil, Jamaica, Trinidad e Tobago, Uruguai e Cuba. Em 2021, tornou-se presidente da CIDH, sendo a primeira vez que a comissão foi liderada por uma chilena. Durante seu mandato, escreveu um relatório sobre a deterioração do Estado de direito e dos direitos humanos na Nicarágua. Também criticou o estado dos direitos humanos no Brasil sob o governo de Jair Bolsonaro. Tem 53 anos e se identifica como independente, próxima ao PS.

 

Nicolás Grau, Ministério da Economia, Desenvolvimento e Turismo

Nicolás Grau, do Ministério da Economia, Desenvolvimento e Turismo Foto: Agência O Globo 24-5-16

Um dos amigos mais próximos de Boric, é membro, assim como o presidente,  da Convergência Social, partido integrante da coalizão Frente Ampla. Foi um dos principais assessores econômicos durante a campanha. Tem doutorado na Universidade da Pensilvânia e, aos 38 anps, é professor do Departamento de Economia da Universidade do Chile e pesquisador adjunto do Centro de Estudos sobre Conflito e Coesão Social (COES). Em entrevista ao GLOBO em 2016, afirmou que «as cotas mudam a vida das pessoas».

Jeanette Vega, Ministério do Desenvolvimento Social e Família

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Médica sanitarista, foi assessora da Organização Mundial da Saúde e da Organização Panamericana da Saúde. Sua pasta abordará temas como pobreza, infância e a política indigenista do novo governo. Tem 64 anos e, apesar de ser militante histórica do Partido pela Democracia, do ex-presidente Ricardo Lagos, renunciou à sigla e atualmente é independente.

Marco Antonio Ávila, Ministério da Educação

Professor de espanhol, foi uma das surpresas do Gabinete. Foi diretor de uma fundação de ensino e especializou-se em educação em situações de vulnerabilidade. De 2015 a 2018, foi coordenador Nacional para o Ensino Secundário da pasta que agora comanda. Em uma entrevista à Unesco, afirmou que sonha com uma educação  “com mais oportunidades de processos reflexivos, que um aluno seja capaz de enfrentar um desafio, investigá-lo de forma autônoma ou mediado por um professor. Ser capaz de identificar informações verdadeiras de falsas, distinguir boas fontes de informação, gerar reflexão e comunicá-la”. Tem 44 anos e é militante da Revolução Democrática, partido que integra a Frente Ampla

Marcela Ríos, Ministério da Justiça

Doutora em Ciência Política, passou a maior parte da carreira trabalhando para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). É especializada em gênero e política, desigualdade, instituições eleitorais e política comparada da América Latina. Tem 55 anos e integra a Convergência Social, de Boric.

Jeannette Jara, Ministério do Trabalho e Assistência Social

Estudou Administração Pública na Faculdade de Administração e Economia da Universidade de Santiago do Chile, e depois estudou Direito na Universidade Central do Chile. Posteriormente, fez mestrado em Gestão e Políticas Públicas pela Universidade de Santiago do Chile.É do Partido Comunista e tem 47 anos.

Juan Carlos García, Ministério das Obras Públicas

Arquiteto e urbanista de 61 anos, estudou na França. Desenvolveu projetos urbanísticos em Aysén, no Norte da Patagônia. Tem 61 anos e é o único ministro do Partido Liberal, de centro-esquerda.

María Begoña Yarza, Ministério da Saúde

Pediatra de 57 anos, é mais uma médica sanitarista a integrar o governo. Dirigiu vários hospitais e centros médicos. Atuou ao lado da nova ministra do Interior Iskia Siches no Colégio Médico. Junto de Siches e outros médicos, assinou uma carta publicada no jornal El Mercurio no ano passado no qual defendia a regulamentação de preços máximos de exames e procedimentos diagnósticos no setor privado. Não tem militância partidária.

Carlos Montes, Ministério da Habitação e Urbanismo

Aos 75 anos, é um militante histórico do Partido Socialista e o mais veterano do governo. Tem uma longa carreira política, tendo sido preso e torturado durante a ditadura de Augusto Pinochet. Posteriormente, foi deputado seis vezes seguidas, e foi seis vezes eleito o melhor deputado pelos seus pares.  Atualmente, é senador pela Região Metropolitana. É  um dos parlamentares socialistas mais bem vistos pela Frente Ampla.

Estebán Valenzuela, Ministério da Agricultura

Jornalista, escritor, historiador e político. Foi prefeito de Rancagua, na região central do Chile, entre 1992 e 1996, e deputado entre 2002 e 2010. Entre 2010 e 2013, morou na Guatemala, onde trabalhou com comunidades maias. Após o retorno ao Chile, integrou a a equipe técnica da candidata presidencial Michelle Bachelet nas eleições de 2013. Atualmente milita no pequeno partido Federação Regionalista Verde Social, partido que defende posições ecológicas e progressistas. Tem 58 anos.

Marcela Hernando, Ministério de Minas

Médica e política de Antofagasta, região ao norte onde estão as principais minas da região. Foi duas vezes deputada pela região, e também prefeita da comuna de Antofagasta, de 2008 a 2012. É a única ministra do Partido Radical e tem 61 anos.

Juan Carlos Muñoz, Ministério dos Transportes e Telecomunicações

Professor de Engenharia dos Transportes e Logística da Pontifícia Universidade Católica do Chile, tem como desafios ampliar a malha ferroviária e iniciar um plano piloto de transporte gratuito e não poluente. Este plano, uma promessa de campanha, é chamado de “duplo zero”: por ser gratuito para os usuários e não emitir nenhuma poluição. A iniciativa deve se limitar a algumas cidades, em função de seus custos. Tem 51 anos e não faz parte de nenhum partido.

Javiera Toro, Ministério de Bens Nacionais

Advogada de 34 anos, foi presidente do Comunes, pequeno partido que integra a Frente Ampla, e será a única ministra da sigla. É diretora da Fundação Nodo XXI, e defende um «novo pacto ecossocial que coloca a vida e o cuidado no centro” Foi  uma das advogadas patrocinadoras da denúncia contra Sebastián Piñera por suposta violação de direitos humanos, no contexto dos feridos pelos protestos durante as revoltas de 2019.

Claudio Huepe, Ministéro da Energia

Tem vasta experiência na área de energia, com mestrado em Economia de Recursos Naturais e Meio Ambiente pela University College London. É diretor do Centro de Energia e Desenvolvimento Sustentável da Universidade Portales. Foi chefe de Estudos da Comissão Nacional de Energia e diretor da Divisão de Política e Prospectiva do Ministério da Energia. Ele fazia parte da equipe econômica de Boric e integra a Convergência Social, partido do presidente. Tem 55 anos.

Maisa Rojas, Ministério do Meio Ambiente

Doutora em física atmosférica pela Universidade de Oxford, é uma renomada climatologista chilena. Foi uma das autoras do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e atuou como coordenadora do comitê consultivo científico da COP25. Sua especialidade é a mudança climática no Hemisfério Sul. Não faz parte de nenhum partido e é professora do Departamento de Geofísica da Universidade do Chile. Tem 49 anos.

Julieta Brodsky, Ministério das Culturas, Artes e Patrimônio

Antropóloga especializada em políticas culturais, já escreveu estudos como «O cenário do trabalhador cultural no Chile», «O papel das políticas públicas nas condições de trabalho dos músicos no Chile»,  «Como se sustenta o teatro no Chile?», bem como o documento «Agenda Trama: Recomendações para o desenvolvimento das artes no Chile». Já trabalhou na concepção de políticas culturais e assessorando agentes públicos e privados em gestão cultural. Tem 38 anos e faz parte da Convergência Social.

Alexandra Benado, Ministério dos Esportes

Filha de militantes chilenos exilados durante a ditadura, nasceu na Suécia. Sua mãe, que voltou ao Chile clandestinamente, foi assassinada pelo regime de Pinochet em 1983. Benado mudou-se para o Chile na adolescência, no início da década de 1990. Foi jogadora da seleção de futebol chilena, e trabalha como técnica profissional. É uma conhecida ativista LGBTI. Em 2013, processou o Estado chileno perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos para que mães de casais homoparentais, como ela, tivessem reconhecimento legal. Tem 45 anos e é independente.

Antonia Orellana, Ministério da Mulher e Equidade de Gênero

Mais conhecida como Toti Orellana, a jornalista tem uma trajetória pública inteiramente marcada pelo enfoque em questões de gênero.É uma das principais assessoras de Boric. Por cinco anos fez parte do projeto campanha de prevenção da Rede Chilena contra a Violência para as Mulheres. No ano passado, entregou à Alta Comissária da ONU, Dubravka Simunovic, um relatório de acompanhamento sobre a violência contra as mulheres no Chile durante a pandemia de Covid-19. Aos 32 anos, é a mais jovem integrante do Gabinete. Faz parte da Convergência Social.

Flavio Salazar, Ministério da Ciência, Tecnologia, Conhecimento e Inovação

Imunologista com doutorado na Suécia, desde 2014 é vice-reitor de Pesquisa e Desenvolvimento da Universidade do Chile. É um renomado autor de estudos sobre o câncer. Tem 56 anos e é militante do Partido Comunista.

O GLOBO

 

 

 

 

 

 

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