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Presidente do México pede fim do próprio foro privilegiado

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Foto: La Tercera
Foto: La Tercera

No seu terceiro dia de mandato, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador (conhecido como AMLO ), enviou ao Senado nesta terça-feira uma iniciativa para eliminar a imunidade presidencial , que blinda o chefe do Executivo de ser julgado por qualquer crime, incluindo corrupção. Esta foi uma das promessas de campanha de AMLO, que busca distanciar a sua imagem daquela dos seus antecessores perante os mexicanos.

Segundo a Constituição mexicana, o presidente só pode ser acusado de traição à pátria e por delitos graves.

— Hoje envio a primeira iniciativa ao Senado para a reforma do artigo 108 da Constituição e suspender o foro do presidente da República — disse  López Obrador a jornalistas. — Termina a impunidade estabelecida pela Constituição. O presidente vai poder ser julgado como qualquer outro cidadão.

López Obrador também defendeu a redução dos salários dos funcionários públicos, depois que foi noticiado na imprensa mexicana que membros do Poder Judiciário entraram com um processo contra a nova lei que determina que ninguém pode ganhar mais do que o presidente. Obrador fixou o seu salário em 108 mil pesos por mês (cerca de R$ 20 mil).

— Há desonestidade quando um funcionário público aceita receber até 600 mil pesos mensais (cerca de R$ 112 mil). Isso é corrupção num país com tanta pobreza — afirmou ainda o presidente. — Houve uma mudança, e será aplicada uma política de austeridade.

Nos últimos dias, o novo presidente tomou outras medidas para mostrar os primeiros passos na sua promessa de limpar o México da corrupção. Ele pôs à venda o avião presidencial do país,  usado pela última vez pelo ex-presidente Enrique Peña Nieto em sua viagem para a reunião do G-20 na Argentina, mais uma promessa de campanha. E também abriu as portas da residência presidencial de Los Pinos , onde não vai morar, para que mexicanos visitassem.

Eleito em julho passado no pleito mais sangrento da História recente do México —145 políticos foram assassinados nas últimas eleições —, o político de 65 anos tem à sua frente o desafio de cumprir uma extensa agenda social sem prejudicar as finanças da segunda maior economia da América Latina. E ele assume o governo em meio à violenta guerra contra o narcotráfico e o crime organizado no país, que enfrenta índices de corrupção sem precedentes e tem quatro em cada dez mexicanos vivendo na pobreza.

Nesse contexto crítico, em que pesa ainda o intenso fluxo de migrantes na fronteira mexicana com a americana, López Obrador frisou na sua cerimônia de posse que vai combater a corrupção por vê-la como uma das origens da crise no país. Ele é o primeiro esquerdista a chegar à Presidência do país em nove décadas de governos conservadores e centristas.

— A marca do neoliberalismo é a corrupção, a privatização tem sido sinônimo de corrupção no México. O que aconteceu no período neoliberal é sem precedentes, o roubo de bens populares foi introduzido como um modus operandi — afirmou.

 

O Globo e agências internacionais