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Só duas crianças imigrantes menores de 5 anos foram reunidas aos pais nos EUA

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Crianças imigrantes separadas dos pais num centro em McAllen, Texas_HANDOUT - AFP
Foto: Handout/AFP

Apenas duas de um total de 102 crianças imigrantes com menos de cinco anos, separadas dos pais na fronteira dos EUA, haviam sido reunidas às famílias até a tarde desta segunda-feira (9), informaram representantes do governo americano à Justiça.

Nesta terça (10), vence o prazo estabelecido por um juiz federal da Califórnia para que todos os menores imigrantes de até cinco anos, acolhidos em abrigos mantidos pelo governo, sejam reunidos aos pais.

Mas a administração de Donald Trump pediu mais tempo, argumentando que há dificuldades logísticas e que é preciso garantir a segurança das crianças.

Em audiência nesta segunda, o governo informou que deve conseguir reunir apenas 54 crianças aos pais até esta terça. É pouco mais da metade dos menores com até cinco anos.

“Eu estou satisfeito e desapontado ao mesmo tempo”, declarou o advogado Lee Gelernt, da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês), que moveu a ação contra o governo.

A principal dificuldade está em localizar os pais e conseguir locais para manter as famílias em segurança. A administração estuda usar bases militares para abrigar os imigrantes, enquanto eles aguardam o desfecho de seus casos na justiça.

Mas, nesta segunda, um outro juiz federal na Califórnia proibiu o governo de manter as famílias detidas por mais de 20 dias, como pedia a administração. Por isso, a possibilidade de liberar os pais com seus filhos em território americano não é descartada.

A advogada Sarah Fabian, que representou o governo, disse ainda que há casos de pais deportados, e um caso em que os pais da criança não foram localizados. Além disso, pelo menos três adultos não foram identificados como pais biológicos das crianças após teste de DNA, e outros três tinham antecedentes criminais que incluíam tráfico humano, posse de narcóticos e uma acusação por homicídio.

Para a ACLU, o governo tem imposto obstáculos burocráticos à reunião das famílias, e esse atraso é desnecessário e prejudicial às crianças.

Já a administração defendeu os testes de DNA e a checagem de antecedentes dos pais, pedindo mais tempo para garantir a segurança dos menores. “Não podemos abrir mão dessas exigências simplesmente porque um prazo se aproxima”, informou o Departamento de Justiça, em petição.

A possibilidade de liberar as famílias com seus filhos em território americano não é descartada, em função da falta de espaço nos centros de imigração.

A advogada Sarah Fabian, que representou o governo, disse também que há casos de pais deportados, e um caso em que os pais da criança ainda não foram localizados.

O prazo final para que todas as crianças sejam entregues às famílias é o dia 26 de julho. No total, cerca de 2.000 menores foram separados dos pais ao atravessarem ilegalmente a fronteira dos EUA, em função da política de tolerância zero contra a imigração ilegal, anunciada em abril.

O juiz Dana Sabraw pediu que o governo apresente um relatório até a manhã desta terça, informando os procedimentos que estão sendo tomados e quantas crianças foram entregues à guarda dos pais.

Só então é que ele decidirá se estende ou não o prazo.

 

Folhapress