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Gabriel Boric começa governo sem um minuto de trégua no Chile

Chile

Nos primeiros 40 dias, jovem mandatário tem 51% de desaprovação

Em uma recente pesquisa (Pulso Ciudadano), o jovem mandatário esquerdista chileno Gabriel Boric, 36, aparece com 51% de desaprovação —pouco menos de completar dois meses no cargo. O número em si não é uma surpresa para um começo de gestão que se anunciava difícil desde o princípio.

Oposição e imprensa tradicional chilenas, porém, já titulam apressadamente Boric como um fracassado. É o preço que o impetuoso jovem patagônico está pagando por ter a audácia de deslocar, pela via democrática, de suas confortáveis posições, todo um establishment político de Santiago.

Dito isso, porém, é certo que Boric não está tendo trégua, nem do Congresso, no qual não tem maioria, nem mesmo de seus supostos aliados do partido comunista, como o líder Daniel Jadue, que até hoje não engoliu bem ter perdido a primária da esquerda para Boric e vem metralhando o presidente como se sua agrupação não fizesse parte da base aliada do governo.

Bastante grosseira e ressentida a atitude de Jadue. Vale lembrar que seu grupo político é o mais próximo ao PT brasileiro, enquanto a turma de Boric se identifica muito mais com os jovens esquerdistas do PSOL.

Os problemas de Boric começaram na primeira semana, com a fracassada viagem de Izkia Siches, sua ministra estrela, ao sul, para tentar começar um processo de diálogo e pacificação. Descobriu o que já era evidente, há gente que compõe o conflito do Wallmapu que não quer conversar. Siches foi ameaçada e teve de ser levada a um local de segurança. Mas foi uma primeira tentativa. E esse é um governo que terá de aprender de seus erros, se a cidadania estiver disposta a dar-lhe ao menos uma trégua.

O principal desafio de Boric, porém, é a economia. E, neste processo, terá que deixar de ser pedra para ser vidraça.

Quando o Congresso anterior começou a aprovar as retiradas parciais, de 10% em 10% dos fundos de pensões privados, em meio à emergência da pandemia, o evento foi visto como o fim das bases do neoliberalismo chileno. De certa forma, mostrava a derrota do sistema previdenciário —bandeira da campanha de Boric, que quer substituí-lo por um modelo em que o Estado participe mais.

O mandatário, porém, agora é o governo. E sabe que a aprovação de novas retiradas do que resta dos fundos de pensão causará imenso dano à economia, aumentando ainda mais uma inflação que castiga os mais pobres (já está em 9,5%). Para o enfurecimento da esquerda, o governo se posicionou contra os novos retiros, Boric foi acusado de traidor, mesmo apresentando um projeto alternativo, que permitia a retirada apenas para o pagamento de dívidas.

Trata-se da primeira derrota dura de Boric, para além das disputas ideológicas ao redor de sua figura, que alimentam mais o circo midiático do que contam de fato para os destinos do país. E um dilema que prosseguirá nos próximos meses. Apresentar o substituto do sistema previdenciário chileno é uma urgência, assim como fazê-lo aprovar ante um Congresso avesso ao presidente.

O ministro da Fazenda, Mario Marcel, alertou para os perigos de seguir com as retiradas dos fundos de pensão indefinidamente, de modo bastante didático: «logo não haverá mais fundos, e teremos apenas a inflação».

Não é justo que Boric seja semanalmente avaliado como um presidente caindo em desgraça, como faz certo setor estridente da oposição. Mas tampouco é certo que o mandatário tenha muito tempo para avançar em suas propostas. Não é só a direita que está de olho em seus tropeços, mas também a esquerda, que já o rotulou como «amarillo» (amarelo, expressão que se usa para centro-esquerdistas ou esquerdistas que «afrouxam» em suas convicções, de modo mais depreciativo).

Sylvia Colombo
Folha de S. Paulo

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