BLOG

PSB celebra 70 anos de história em ato político e cultural

Noticias
Foto: Humberto Pradera
Foto: Humberto Pradera

Socialistas de todo o país se reuniram nesta quinta-feira (10), em Brasília, para celebrar os 70 anos de história do PSB.

Estiveram presentes integrantes da Executiva e do Diretório Nacional, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores e representantes de movimentos sociais.

Como parte das comemorações, aconteceu a conferência magna “Desafios da Esquerda Democrática no Brasil e no Mundo”, com o deputado do Partido Socialista Obrero Espanhol (PSOE), Ignácio Sánchez Amor, o pós-doutor em Ciência Política pela Universidade de Oxford (Inglaterra), Oscar Vilhena Vieira, e o jornalista e analista internacional Carlos Monge Arístegui, do Partido Socialista do Chile.

O evento começou com os hinos nacional e da Internacional Socialista e durante toda a cerimônia bandeiras foram agitadas pelos participantes. O salão azul do Hotel Nacional, onde acontecem as comemorações, foi decorado com uma exposição temática sobre a trajetória política do partido no país.

Selo e carimbo comemorativos dos 70 anos foram lançados pelos Correios, e um vídeo-documentário foi exibido contando os principais momentos das sete décadas do PSB.

A homenagem a Eduardo Campos veio das mãos de Carlos Siqueira, que entregou uma placa a Renata, viúva do ex-governador, que completaria 52 anos neste dia 10 de agosto. Renata estava acompanhada dos filhos João, Maria Eduarda, José e Miguel.

O presidente da Fundação João Mangabeira, Renato Casagrande, saudou a família Campos e ressaltou a coerência do PSB ao longo de sua história. “O PSB é um partido coerente desde a Esquerda Democrática, e agora, mais do que nunca, precisamos mantê-la e fortalecê-la no momento em que os brasileiros sofrem ataque das forças políticas conservadoras. Cabe a nós, socialistas, fazermos uma barreira para que possamos proteger o contrato social que é a Constituição de 1988”, afirmou.
O vice-governador de São Paulo Márcio França ressaltou a capacidade de liderança de Campos e disse que seu legado é referência principalmente entre os mais jovens, que não tiveram a oportunidade de conviver com lideranças mais antigas do partido. “A maneira de Eduardo conduzir as coisas, de enfrentar momentos difíceis, e sua capacidade de decisão envolvem até hoje cada um de nós. Ele passou pelo nosso partido de uma forma tão moderna e inteligente, e deixou o seu legado aos jovens que não tiveram a oportunidade de conviver com as lideranças mais antigas do PSB”, disse.

O governador do DF, Rodrigo Rollemberg, lembrou de momentos marcantes que vivenciou no PSB e disse que os socialistas não devem perder as esperanças diante da crise atual do país. Rollemberg afirmou ainda que os filiados “errarão menos e acertarão mais” se tiverem a capacidade de se espelhar em líderes como Jamil Haddad, Miguel Arraes e Eduardo Campos.

“Jamil Haddad dedicou a sua vida para organizar o PSB, é um exemplo para aqueles que estão iniciando a sua jornada na política. Arraes mantinha permanente comunhão com o povo. Eduardo Campos era um homem com os pés plantados na realidade e com os olhos voltados para o futuro. Se tivermos a capacidade de refletirmos sobre o que esses líderes fariam neste momento de dificuldade, vamos errar menos e acertar mais”, disse Rollemberg, que falou em nome dos governadores do partido.

Durante a celebração, músicos e repentistas se apresentaram entre os discursos. O quarteto de choro do projeto Jaime Ernest Dias entoou a canção “Madeira que cupim não rói”, do compositor Lourenço da Fonseca Barbosa, conhecido como Capiba. Em referência a esta composição, a porta-voz da Rede Sustentabilidade, Marina Silva, parabenizou o PSB pela passagem dos 70 anos. “A madeira que cupim não rói é a parte nobre dela, a mais dura, aquela que, se a gente trouxer a metáfora da música para a política, é a parte do compromisso. E eu sei que o PSB tem compromisso com um Brasil melhor”, afirmou.

Marina lembrou a frase de Eduardo Campos “não podemos desistir do Brasil” e agradeceu mais uma vez o partido por acolhê-la quando ainda estava sem legenda. “Nós sabemos que a política é uma jornada e é por isso que, nesse momento de crise que passa o país, o máximo que podemos fazer como lideranças políticas, como partidos, é nos esforçarmos para oferecer a face da honestidade, da verdade e da coragem de enfrentar os problemas”, disse.

O poeta Antônio Marinho recitou versos que compôs especialmente para a data comemorativa. Também apresentou o soneto Marginal Aposentado, do poeta Diniz Vitorino, e interpretou a música Luzes da Ribalta, de Charles Chaplin: “Para que chorar o que passou/lamentar perdidas ilusões/se o ideal que sempre nos acalentou/renascerá em outros corações”.

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, recordou sua convivência com políticos históricos como Leonel Brizola, Jamil Haddad, Miguel Arraes e Eduardo Campos e avaliou que “o Brasil nunca precisou tanto de patriotas” como eles para superar a crise nacional. “As ideias não morrem jamais, por isso, nós temos que propagar os ideais de Brizola, de Jammil, de Arraes e de Eduardo e estarmos juntos numa aliança entre trabalhistas e socialistas para o projeto do Brasil que queremos”.

“As graves dificuldades que estamos enfrentando no Brasil tem que ser o elemento agregador de todos nós para pensarmos em unir forças e convergirmos em relação a que tipo de país precisamos e desejamos”, complementou o representante do PPS, Francisco Almeida.

Para a deputada federal Jô Moraes (PCdoB-MG), a militância do PSB será a responsável por enfrentar as dificuldades da crise e recuperar a política num momento em que cada brasileiro já não tem mais confiança nos seus representantes no Congresso Nacional. “Tenho certeza de que essa combativa militância está transformando o partido numa reafirmação de sua tradição democrática e atuando na apresentação de um projeto nacional de país que assegure a possibilidade de um crescimento sustentável, desenvolvido e com distribuição social”, destacou.

O deputado do Partido Socialista italiano, Fausto Longo, entregou ao presidente nacional do PSB uma placa de congratulações. Para Longo, o PSB é “o único partido que é verdadeiramente uma família”, pois ao invés de lutar somente pela política do país, “luta para que a humanidade efetivamente se considere um só povo”.

O representante da Negritude Socialista Brasileira (NSB), Mandruvá Samba, de Sabará (MG), cantou o clássico da música popular brasileira, “O que é o que é”, de Gonzaguinha, acompanhado das centenas de presentes.

Socialismo e Liberdade

O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, relembrou a história do PSB desde sua criação, em 6 de agosto de 1947, sob o lema Socialismo e Liberdade. Destacou a figura de João Mangabeira, primeiro presidente do partido. “Nós somos, sem nenhuma modéstia, precursores da ideia extraordinária de não aceitar socialismo sem liberdade”, afirmou.

Siqueira destacou nomes de socialistas históricos como o primeiro prefeito de capital eleito pelo PSB e reeleito duas vezes no Recife, Pelópidas da Silveira, o advogado Francisco Julião que liderou o movimento social das ligas camponesas, em Pernambuco, e o ex-governador e ex-presidente do partido, Miguel Arraes, quando liderou o Acordo do Campo, que obrigou usineiros a cumprirem as leis trabalhistas para os canavieiros da Zona da Mata.

Entre 1947 e 1964, recordou, o partido participou de momentos importantes da história política do Brasil, como a campanha O Petróleo é Nosso, em defesa do controle nacional, e a Campanha da Legalidade, para exigir a posse de João Goulart. Em 1965, o partido foi colocado na ilegalidade pela ditadura militar.

Mas, em 2 de julho de 1985, o PSB é refundado e conserva o mesmo programa de 1947, de caráter socialista e democrático, lembrou o presidente.

“Na sua reconstrução nesses mais de 30 anos de militância e de presença firme e coerente na política nacional, o PSB teve muitos problemas”, reconhece. Entrentato, avaliou Siqueira, as dificuldades enfrentadas pelo partido ao longo de sua história não o impediram de chegar aos 70 anos unido e coerente com seus princípios de sua fundação.