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Partidos socialistas da América Latina divulgam “Declaração de Lima” em defesa da soberania e da democracia

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Molon (secretário-geral eleito), Aída (membro do PS e ex-embaixadora do Peru) e Beto Albuquerque.
Molon (secretário-geral eleito), Aída (membro do PS e ex-embaixadora do Peru) e Beto Albuquerque.

A Coordenação Socialista Latino-americana (CSL), entidade formada por partidos socialistas e movimentos políticos de 11 países da América Latina e Caribe, divulgou neste domingo (5/5) a Declaração de Lima, com as conclusões da reunião que promoveu na capital do Peru neste final de semana.

No documento, sobre a crise da Venezuela, os socialistas defendem os princípios da autodeterminação dos povos e criticam o Grupo de Lima por ter se tornado “na prática, um braço internacional operador da agressão e da ingerência dirigida por Donald Trump contra a soberania e a autodeterminação” daquele país.

A CSL exige dos governos do Grupo de Lima que cessem as ações violentas que “buscam subverter a democracia e a institucionalidade” em Venezuela.

A declaração ainda denuncia os “graves riscos” à soberania dos países da região devido “à estratégia de privatização dos recursos e serviços públicos, que afeta o exercício dos direitos básicos da sociedade”.

Na noite de sexta-feira, no Congresso Nacional do Peru, representantes da CSL participaram de uma homenagem ao fundador do Partido Socialista peruano Javier Diez Canseco Cisneros, congressista considerado um dos mais destacados líderes políticos de sua geração no país.

Em sua saudação ao socialista peruano, Beto Albuquerque destacou a importância do político, do líder partidário e do internacionalista, comprometido ao longo de sua vida com a causa da justiça social e do combate à corrupção.

“Em seus mais de 45 anos de atuação política, Canseco empregou toda sua força, energia e sabedoria para lutar pela democracia e defender os mais desfavorecidos”, afirmou Albuquerque.

“Canseco é uma referência para todos aqueles que creem na construção de um mundo mais decente, livre das injustiças e iniquidades que sonhamos superar”, completou.

A Declaração de Lima também inclui informes da Colômbia e do Brasil, sobre a “grave situação de violação de direitos humanos e políticos” contra Angela María Robledo – que nas últimas eleições foi candidata a vice-presidente da República, pelo Partido Verde, na chapa de Gustavo Petro – e a prisão do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, considerada “injusta e política”.

A manifestação da CSL ainda destaca as ameaças à Amazônia e aos povos indígenas do continente, e estabelece como pilares da luta das mulheres “a democracia paritária e alternância nos processos de participação política, a luta contra a violência de gênero e a participação na tomada de decisões”.

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Molon, secretário-geral eleito da CSL, falou sobre a soberania dos países latino-americanos.

Eleição – Durante o encontro, que teve como tema central “Socialismo Latino-americano para a paz e o bem-estar social”, os participantes escolheram a nova direção da CSL para o próximo triênio, que será coordenada pelo deputado federal e líder da Oposição Alessandro Molon, do Partido Socialista Brasileiro (PSB).

Por decisão unânime, Molon sucede ao companheiro de partido, o vice-presidente de Relações Governamentais do PSB, Beto Albuquerque.

Durante a reunião, Albuquerque apresentou um balanço das atividades desenvolvidas nos últimos quatro anos e fez um agradecimento. “Encerro hoje meus quatro anos à frente da CSL, agradeço o apoio e a confiança fundamentais de todos os partidos, movimentos e ao núcleo das mulheres socialistas da CSL. Creio na continuidade do trabalho e no fortalecimento da organização dos nossos partidos e na permanente luta socialista na América Latina”, afirmou.

A nova direção compreende secretarias-adjuntas ocupadas pelos PS de Uruguai, Argentina e Chile, e subsecretarias regionais a cargo do PRF do Paraguai (Cone Sul), do PS do Peru (Andina Amazônica), e do PRD do México (Circuncaribe).

Participaram da reunião 30 representantes da Argentina (Partido Socialista da Argentina), do Brasil (Partido Socialista Brasileiro – PSB e Partido dos Trabalhadores – PT), Colômbia (Movimento Colômbia Humana), México (Partido da Revolução Democrática – PRD), Paraguai (Partido Revolucionário Febrerista – PRF) e Peru (Partido Socialista – PS e Movimento Novo Peru), além dos congressistas peruanos Tania Pariona (MNP) e Alberto Quintanilla (PS-MNP) e de representantes do Movimento ao Socialismo Allendista, do Chile.

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Yara (ass. Rel. Int. PSB), Anne Karoline (sec. nac. Mulheres do PT) e Rogelia (sec. Gên. do PRD Méx.).

Mulheres, Gênero e Igualdade

No domingo, representantes de partidos socialistas e de movimentos políticos da CSL Mulheres, Gênero e Igualdade divulgaram a “Carta de Lima” com as conclusões de seu encontro. No documento, reafirmaram o compromisso pela democracia paritária e a alternância nos processos de participação política, o combate à violência de gênero e, em particular, o feminicídio, além da luta pela erradicação da pobreza assim como a ampliação do acesso aos serviços básicos às mulheres.

Segundo a secretária-geral do núcleo, Dora Pires, do PSB, as socialistas debateram a situação das mulheres diante do avanço do fascismo no continente latino-americano. “Nos preocupa a todas as companheiras a tendência conservadora e, mesmo, fundamentalista, que atenta contra a ideia de igualdade de gênero”, afirma Dora.

O documento alerta ainda para a perda de direitos sociais e para a necessidade de mobilização. “Existe um risco de perda de direitos conquistados, assim como uma avaliação positiva da grande mobilização mundial das mulheres em defesa de seus direitos”, como a Paralisação Internacional de Mulheres, a iniciativa #NiUnaMenos, que se estende da Argentina ao México, como #MeToo, la Maré Verde, entre muitos outros movimentos.

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No encontro, representantes da CSL Mulheres, Gênero e Igualdade divulgaram a “Carta de Lima”.

 

Abaixo seguem a íntegra das declarações:

Declaración final 

Declaración sobre Colombia 

Declaración sobre Presidente Lula