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Na Colômbia, a reação popular será reprimida porque não há vontade política para diálogo, afirma Hilda Carrera

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América do Sul
O grito das ruas

Em 2019, a América do Sul vive um clima de instabilidade, resultado de crises políticas, econômicas, sociais. Protestos agitam as ruas das principais cidades. No Brasil, Chile, Bolívia, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, milhões de pessoas confrontaram os governos e as forças policiais de seus países.

Na Colômbia, o 21 de novembro marcou o início de uma onda de protestos que se estendeu por quatro semanas. Uma multidão formada por dezenas de milhares de pessoas marcharam na capital Bogotá e nas principais cidades do país para rechaçar uma série de medidas econômicas que prejudicam trabalhadores e aposentados.

Mesmo com um crescimento econômico de 2,7% em 2018 e um confronto armado que durou 6 décadas “sob controle”, a imagem de paz que a Colômbia passava não reflete a realidade da desigualdade social e diminuição de direitos dentro do país sob o governo de direita de Iván Duque.

Há muitos anos, a Colômbia não expressava a sua cólera e insatisfação frente à situação social e econômica do país. Os panelaços à noite pelas ruas das cidades caracterizaram a demonstração do descontentamento popular.

As manifestações de sindicalistas, trabalhadores, grupos de estudantes, indígenas e ambientalistas foram duramente reprimidas pelo governo, causando dezenas de mortes. Os protestos ganharam ainda mais força após a morte de Dilan Cruz, um jovem de 18 anos que foi atingido por um artefato lançado pela polícia.

“A marcha foi contaminada por uma violência, que não é expressão da cidadania”, afirma Hilda Carrera, do movimento Colombia Humana. “Essa expressão cidadã vai ser reprimida violentamente porque não há possibilidade de poderem estabelecer um diálogo. Não há vontade política”, critica.

Em entrevista concedida ao Blog da Coordenação Socialista Latino-americana (CSL), no final de novembro, Hilda critica a incapacidade de diálogo de Iván Duque para dar um fim à insatisfação popular e critica a atuação da direita e da extrema-direita na América Latina.

A representante do movimento Colombia Humana fala ainda sobre a participação da polícia colombiana em atos de vandalismo como forma de coibir os protestos. “Muitos dos vândalos que ocasionaram os desastres foram gente infiltrada pela polícia para criar medo, para retrair as pessoas para que elas não prossigam reivindicando seus direitos”, disse.

No último 21 de dezembro, o Congresso da Colômbia aprovou uma reforma tributária que ajudou a alimentar a rejeição dos manifestantes que lideram os protestos contra o governo de Iván Duque. Um pacote social que os manifestantes consideram uma maneira de maquiar uma reforma pouco equitativa que, depois de três greves gerais em menos de um mês, continuará motivando uma onda de mobilizações que não teve precedentes nos últimos anos.

Durante a Conferência Nacional de Autorreforma do PSB, em novembro deste ano, representantes de partidos socialistas de países da América do Sul relataram a situação vivida em suas regiões e debateram formas democráticas de enfrentar as crises que se apresentam.

O PSB e a Coordenação Socialista Latino-americana (CSL) publicarão depoimentos de mulheres socialistas que foram ao Rio de Janeiro para o IV Encontro Internacional de Mulheres Socialistas, promovido pela Secretaria Nacional de Mulheres do PSB.

Assista à entrevista de Hilda Carrera, do movimento Colombia Humana.