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Número de mortes de lideranças indígenas em governo Bolsonaro é o maior em 11 anos

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Foto: Blog O Contorno das Sombras
Foto: Blog O Contorno das Sombras

Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), divulgados na segunda-feira (9), mostram que o número de lideranças indígenas assassinadas em conflitos de terra durante o primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro foi o maior em pelo menos 11 anos. Segundo o levantamento, foram 7 mortes em 2019, contra 2 mortes em 2018.

“Nós vivemos um momento em que o Estado é o agente promotor das agressões. Com todo esse momento político que a gente vive, os responsáveis pelas violências decidiram que esses povos indígenas não têm direitos e que têm que ser eliminados. Com isso, a gente está vendo um massacre”, conta Paulo César Moreira, coordenador nacional da CPT, em entrevista a Patrícia Figueiredo, do portal G1.

Apenas no último fim de semana, três lideranças indígenas foram mortas no Brasil. Dois dos assassinatos aconteceram no sábado (7), quando homens dentro de um carro atiraram contra indígenas Guajajara na estrada BR-226, que corta as aldeias El Betel e Boa Vista, no Maranhão. Atentado tirou a vida de Firmino Prexede Guajajara, que morreu na hora, e Raimundo Belnício Guajajara.

Ainda, em Manaus, o indígena Humberto Peixoto Lemos, do povo Tuyuca, morreu no hospital após ser agredido a pauladas na segunda-feira (2).

Dados da Pastoral

O levantamento da CPT é feito com base em dados enviados pelas pastorais de cada região. São levados em consideração apenas assassinatos relacionados a conflitos pela terra.

Além das mortes de lideranças, o levantamento contabiliza também mortes de indígenas que não são líderes de suas comunidades. Levando em consideração as mortes de lideranças e de indígenas somadas, 2013 e 2016 tiveram números maiores.

Para Paulo Moreira, as mortes dos líderes são mais danosas às comunidades porque enfraquecem a luta do grupo por direitos e por territórios.

“A estratégia [por trás dos assassinatos] é enfraquecer a comunidade. Quando não se consegue, o que eles fazem é tentar atingir pessoas da comunidade de forma às vezes até aleatória. Mas a morte de lideranças é de forma bem arquitetada, para diminuir atuação e enfraquecer o grupo todo”, diz Moreira, da CPT.

Aumento em 2018

Outro estudo, elaborado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), já apontava uma tendência de aumento na violência contra a população indígena em 2018.

Segundo relatório publicado em setembro pelo conselho, cresceu 20% o número de assassinatos de indígenas em comparação com o levantamento anterior. Os dados mais recentes são de 2018, quando foram registradas 135 mortes. Em 2017, foram 110 casos.

Dados preliminares do conselho também mostraram aumento nos casos de invasão e exploração ilegal de terras indígenas. De janeiro a setembro de 2019, o Cimi verificou 160 casos de invasão em 19 estados.

Antes do fim do ano, o número já é mais de 40% maior que o consolidado de 2018, com 111 invasões registradas. Rondônia e Amazonas foram, no ano passado, os estados com maior incidência desta ação.

  • 27/02/2019Cacique Francisco de Souza Pereira, morto aos 53 anos no conflito da comunidade Urucaia, em Manaus (AM)
  • 13/06/2019: Cacique Willames Machado Alencar, morto aos 42 anos no conflito da comunidade Cemitério dos Índios, em Manaus (AM)
  • 22/07/2019: Emyra Waiãpi, morto aos 69 anos no conflito da terra indígena Waiãpi/Aldeia Mariry, em Pedra Branca do Amapari (AP)
  • 06/08/2019: Carlos Alberto Oliveira de Souza (“Mackpak”), morto aos 44 anos no conflito da comunidade Cemitério dos Índios, em Manaus (AM)
  • 01/11/2019Paulo Paulino Guajajara, morto aos 26 anos no conflito da terra indígena Arariboia/92 Aldeias/Etnias Guajajara, Gavião e Guajá, em Bom Jesus da Selva (MA)
  • 07/12/2019Cacique Firmino Prexede Guajajara, morto aos 45 anos no conflito da terra indígena Cana Brava/Aldeias Coquinho/Coquinho II/Ilha de São Pedro/Silvino/Mussun/NovaVitoriano, em Jenipapo dos Vieiras (MA)
  • 07/12/2019Raimundo Benício Guajajara, morto aos 38 anos no conflito da terra indígena Lagoa Comprida/Aldeias Leite/Decente, em Jenipapo dos Vieiras (MA)

G1