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CSL abre reunião com proposta de debate livre sobre corrupção e transparência

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Com a presença de representantes de diferentes partidos da América Latina, a Coordenação Socialista Latino-Americana (CSL) iniciou nesta quinta-feira, 5, no Rio de Janeiro, uma reunião que terá como principal tema de discussão a corrupção e a transparência. O objetivo do grupo é criar um espaço de debate e reflexão entre as agremiações que possibilite expor acertos e erros dos governos de esquerda na região.

“Queremos um espaço em que todos os nossos partidos possam falar livremente, um espaço em que não haja decisões antecipadas, em que possamos discutir nossas virtudes e mazelas, nossos acertos e erros”, disse o secretário-geral da CSL, Beto Albuquerque, na abertura dos trabalhos.

Na avaliação de Beto, que também é vice-presidente nacional do PSB, a esquerda precisa sempre ficar atenta ao tema da corrupção para evitar o crescimento de forças conservadoras. “Esse sempre foi um tema de combate e sabemos que a esquerda não pode falhar nesse quesito de transparência e participação. Quando um partido de esquerda fraqueja ou falha nesse cenário, damos oportunidade para que o velho discurso conservador e de direita ressurja, contaminando a esquerda latino-americana”, acrescentou.

Para o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, a lisura na gestão pública é um pressuposto de qualquer atividade política. “Quando, portanto, eleições são disputadas e vencidas com base em plataforma que se dedicam essencialmente ao combate à corrupção, temos que prestar atenção não apenas ao tema e seu apelo eleitoral, mas ao fato de que o próprio sistema político provavelmente adoeceu, a ponto de não conseguir lidar adequadamente com aquilo que deveriam ser apenas as regras de acesso à atividade pública”, afirmou.

Os homens públicos e as instituições partidárias, disse Siqueira, não têm encontrado formas de conquistar os corações e o imaginário popular, o que converte a disputa política em um exercício de força bruta.

A discussão sobre transparência e formas de evitar a corrupção precisam evoluir para que o socialismo volte a disseminar utopias, acredita o presidente do PSB. “Aos partidos de esquerda não pode interessar ganhar as eleições a qualquer custo, porque nosso projeto político não é de curto prazo, mas se refere a criar uma nova civilização, o que implica mudanças na esfera pública e mudanças comportamentais”, afirmou.

Prestigiaram o início dos trabalhos a secretária-geral adjunta da CSL, Estela Molero, o embaixador do Chile no Brasil, Jaime Gazmuri, o presidente da Fundação João Mangabeira, Renato Casagrande, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, os senadores João Capiberibe (PSB-AP) e Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), e o prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo.

Para o uruguaio Fernando López, que propôs o tema do encontro, é preciso que os partidos socialistas façam uma reflexão sobre o momento atual. “Em seu último discurso, o ex-presidente do Chile, Salvador Allende, disse que esperava não ter feito um sacrifício em vão. Estamos aqui para que o sacrifício de tantos companheiros e companheiras não tenha sido em vão. Se não superarmos nossos problemas, estaremos insultando a memória deles”, disse.

Participam do encontro representantes de partidos que integram a CSL: Carlos Monge Arístegui (Partido Socialista do Chile), Fernando López d’Alessandro (PS do Uruguay), Hilda Carrera (Movimento Progressista da Colômbia), Horácio Ghibaudi e Juan Carlos Zabalsa (PS da Argentina), Hugo Cabieses (PS do Peru), Josefina Duarte (Partido Revolucionario Febrerista del Paraguay) e Monica Valente (secretária de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores).

Desde o início da tarde desta quinta-feira, os socialistas ouvem palestras sobre corrupção e transparência pública, que poderão servir de referência para resoluções da CSL. A Coordenação realiza reunião de trabalho na manhã de sexta-feira.